Benefícios do exercício

O exercício pode livrar a pessoa de uma bela doença porque deixa a reação do organismo mais rápida e certeira. “Já está provado que a atividade física regular estimula a produção de citocinas, imunoglobulinas e células chamadas natural killers”, enumera Jay Campisi, especialista em neuroimunofisiolo-gia da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos.
Mas o que significam todos esses nomes? “As citocinas são moléculas mensageiras liberadas pelo sistema imune para iniciar uma resposta ao agressor”, responde Edna Reiche, da Universidade Estadual de Londrina. Fazem parte do grupo as interleucinas e os interferons, substâncias com papel importante no tratamento de males como a aids e a hepatite.
Já imunoglobulina é o nome científico do popular anticorpo. “Eles são produzidos quando um antígeno, uma bactéria ou vírus, por exemplo, está presente”, informa Déa Villa-Verde, coordenadora do Departamento de Imunologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Enquanto as tais células natural killers, como o próprio nome inglês sugere, podem ser definidas como assassinas profissionais.
“Sabe-se que elas têm, inclusive, capacidade de reconhecer e matar células tumorais”, ressalta o fisio-logista Luís Fernando Costa Rosa.
Quando se fala em imunomo-dulação, porém, automaticamente se pensa em aumento das células defensoras, mas o acerto de contas também pode significar a diminuição da quantidade de algumas delas. É que o vaivém de informações dos sistemas imune, neuro e endocrinológico provoca uma regulação constante.”Costu-mamos comparar essa interação ao giro de um cata-vento, que cada hora vai para um lado”, diz o cientista João Palermo Neto, do Grupo de Pesquisas em Neuroimunomodulação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “Assim como o sistema imune avisa ao cérebro sobre a presença de uma doença e a necessidade de economizar energia, às vezes o sistema nervoso manda as defesas serem mais econômicas.”
Foi esse efeito que os pesquisadores do Laboratório de Metabolismo do ICB — USP obtiveram em um novo experimento, desta vez recrutanto ratinhos portadores de artrite reumatóide. “Classificada como auto-imune, a doença é provocada por um descompasso das próprias defesas”, define Costa Rosa. A confusão interna inflama as articulações, causando dor, inchaço e dificuldade para realizar movimentos. A hipótese era de que a atividade física freqüente traria as células tresloucadas para o funcionamento normal — ou seja, nesse caso, a imunomodulação serviria para brecar a ação destruidora das células. Deu certo.
Os roedores que praticaram natação regularmente passaram a se mexer mais, um sinal de que os sintomas se aplacaram. Num futuro próximo, quando estudos com seres humanos comprovarem os benefícios já encontrados nas cobaias, o exercício poderá ser receitado como um medicamento capaz de pôr o sistema imune nos eixos. Você pode se antecipar e escolher uma atividade física agora, de preferância aeróbica, como nadar, correr, caminhar, pular corda ou andar de bicicleta. E lembre-se: não exagere, mas tente praticar sua opção todo dia.

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